Macaxeira, banana, farinha e beiju fazem parte da rotina de Scarlet Alexandra Castro Contasti, 28 anos. Moradora da comunidade Sorocaima 1, em Pacaraima, ela participou da oficina de modelagem de negócios da trilha do conhecimento, realizada pelo Sebrae/RR, e agora planeja abrir um pequeno mercadinho dentro da comunidade para ampliar a renda da família.
Natural de Gran Sabana, na Venezuela, Scarlet deixou o país com o esposo e os filhos há quatro anos. A chegada ao Brasil foi marcada por dificuldades. Sem uma estrutura para se estabelecer, a família contou com o apoio das irmãs do esposo, que já viviam na região, para chegar a Sorocaima 1.

“Lá era muito difícil conseguir emprego. Às vezes não tínhamos nem o que comer. Aqui é melhor, porque, por meio da agricultura e da revenda dos produtos, conseguimos comprar as coisas que precisamos”, contou.
Na comunidade, Scarlet e o esposo encontraram na agricultura familiar uma forma de sustentar a família. Juntos, plantam macaxeira e banana e produzem farinha e beiju. Parte da produção é destinada ao consumo da família e outra parte é comercializada em um espaço destinado aos produtores da comunidade, em Pacaraima.
As vendas variam um pouco conforme o período, mas Scarlet conta que a média é de R$ 800 por mês, principalmente com a comercialização de beiju. A renda ajuda nas despesas dos quatro filhos, que têm entre 3 e 9 anos, mas segundo ela, não é o suficiente para manter a família de forma confortável.
A experiência com a produção e a procura por produtos dentro da própria comunidade fizeram Scarlet pensar em um novo negócio além da agricultura. Ela pretende montar um minimercado na própria casa para atender moradores que precisam se deslocar até Pacaraima para fazer compras. “Tenho vizinhos que às vezes não gostam de ir até lá. Por isso pensei em abrir um pequeno mercadinho aqui na comunidade, para que eles possam encontrar os produtos mais perto de casa”, explicou.
A ideia ainda está sendo organizada. Scarlet chegou a começar os preparativos para o comércio, mas precisou interromper temporariamente por causa de outras despesas com os filhos. Agora, pretende retomar o projeto e colocar em prática o que aprendeu durante a capacitação.
“Primeiro tenho que planejar o que vou começar. Agora, com o curso, já consigo ver como será o que vou fazer”, afirmou.
A expectativa é que o mercadinho complemente a renda obtida com a agricultura familiar e, ao mesmo tempo, facilite o acesso dos moradores da comunidade a produtos que hoje exigem um deslocamento até Pacaraima.

A oficina integra a Trilha do Conhecimento, realizada pelo Sebrae/RR a partir de uma solicitação do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), com apoio da APITSM. A iniciativa busca fortalecer capacidades empreendedoras, geração de renda e autonomia econômica de indígenas brasileiros, refugiados e migrantes.
Fonte e imagens: SEBRAE-RR DA ASN RORAIMA– Leia a matéria completa aqui