Com um mercado em crescimento acelerado e demanda por investimentos em diversas áreas, a Guiana entrou de vez no radar de empresários de Roraima. Esse cenário foi o ponto de partida do evento “Da missão ao mercado: oportunidades na Guiana”, realizado na última quinta-feira (2), no auditório do Sebrae-RR, que reuniu participantes da missão empresarial para mostrar, na prática, o que já está sendo construído a partir dessa conexão internacional.
O encontro foi realizado após a missão empresarial à Guiana e marcou o momento de compartilhamento das experiências vividas durante a imersão no país vizinho. A proposta é apresentar os aprendizados, contatos estabelecidos e possibilidades identificadas pelos empresários, além de ampliar o acesso dessas informações a outros empreendedores interessados em expandir seus negócios para o mercado internacional.
A analista de mercado do Sebrae, Carol Schueng, explicou que o evento faz parte de uma estratégia contínua de acompanhamento das missões empresariais. Segundo ela, o momento pós-missão é fundamental para consolidar o conhecimento adquirido e estimular novos participantes.
“A ideia é que os empresários tragam o que vivenciaram, o que aprenderam e quais oportunidades identificaram durante a missão. Isso permite que outros empreendedores tenham acesso a essas informações e se sintam motivados a participar das próximas edições”, destacou.
De acordo com Carol, o interesse pelo tema tem crescido entre os empresários locais, o que se reflete na adesão ao evento. “Tivemos cerca de 100 inscritos, o que mostra claramente o quanto esse mercado desperta atenção. É uma oportunidade de aprender diretamente com quem esteve lá e já começou a construir conexões”, afirmou.
Segundo ela, os resultados já começam a aparecer a partir das relações estabelecidas durante a missão. “As negociações levam de dois a três meses para se consolidarem, mas já temos casos de empresários que fecharam negócios em missões anteriores. Nesta edição, inclusive, há participante que já avançou no processo de abertura de empresa na Guiana, já tem sócio e está caminhando para iniciar a operação”, disse.
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Empresários destacam experiência, aprendizado e abertura de mercado

Entre os participantes da missão, o empresário Flávio Gomes, proprietário da Pau Brasil, destacou a experiência como um divisor de águas na forma de enxergar o mercado internacional. Para ele, a oportunidade de conhecer de perto a realidade da Guiana trouxe uma visão mais clara sobre as possibilidades de investimento.
Durante os dez dias de missão, ele percorreu o trajeto por via terrestre e teve acesso a diferentes setores da economia local. “A gente conseguiu conhecer desde o caminho até a Guiana, entender a logística, e lá fomos apresentados a tudo que envolve a abertura de negócios. Tivemos contato com a parte de tributação, bancos, pessoas que auxiliam na abertura de empresas, corretoras de imóveis e também visitamos condomínios e diferentes tipos de construções”, relatou.
Segundo o empresário, esse contato direto com o ambiente de negócios faz diferença no processo de tomada de decisão. “Não é só ouvir falar, é ver de perto como funciona. A gente entende as leis, o jeito de trabalhar, a cultura deles. Isso dá mais segurança para se decidir investir, já chegar preparado”, afirmou.
Ele também chamou atenção para o ritmo de crescimento do país. “A Guiana está tomada de obras, é um país em construção. Isso desperta uma vontade muito grande de fazer negócios lá ou com empresas de lá. A gente volta com essa visão de que existe um mercado real acontecendo ali ao lado”, disse.
Flávio destacou ainda que a experiência não termina com a missão. “Agora é o momento de analisar tudo que vimos, estudar as possibilidades e se organizar para, em um futuro próximo, entrar nesse mercado. A missão abre esse caminho”, completou.
No setor de logística, o presidente da Coopertan, Dirceu Lana, reforçou o papel estratégico da missão na ampliação de conexões internacionais. Com atuação em países como Venezuela, Guiana, Peru e Bolívia, ele destacou que a experiência fortaleceu ainda mais as possibilidades de integração regional.
“Tive a oportunidade de estar em Georgetown e conhecer empresários, exportadores, importadores e principalmente transportadores. Isso permite criar parcerias importantes, principalmente no setor logístico, que é fundamental para sustentar o crescimento do comércio entre os países”, afirmou.
Segundo ele, a tendência é de aumento no fluxo de cargas entre Brasil e Guiana, especialmente com Roraima. “Estamos ao lado da Guiana, então existe um potencial muito grande de crescimento no transporte e na integração comercial. Isso beneficia diretamente o setor logístico e toda a cadeia produtiva”, explicou.
Já o diretor da Coopercarne, André Prado, destacou que a missão contribui para preparar os empreendedores locais para atender mercados internacionais. Para ele, a experiência amplia a visão estratégica e permite alinhar a produção às demandas externas.
“Essas missões nos ajudam a entender o que o mercado internacional precisa. A partir disso, conseguimos produzir com mais foco e direcionamento, atendendo as demandas de forma mais eficiente”, afirmou.
Ele também ressaltou a posição geográfica de Roraima como um diferencial competitivo. “Estamos próximos da Guiana, do Suriname e também da Venezuela. Isso nos coloca em uma posição estratégica para acessar esses mercados. Precisamos estar preparados para aproveitar essa vantagem”, disse.
No caso específico da cadeia da carne, ele avalia que há oportunidades concretas de expansão. “Para nós, isso representa a possibilidade de abrir novos canais de escoamento da produção. É uma oportunidade real de crescimento para o setor”, completou.
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Mercado guianense apresenta oportunidades e desafios para investidores
A programação contou ainda com a participação do empresário Anand Harrilall, da Beharry Holdings Inc., que apresentou um panorama detalhado sobre o ambiente de negócios na Guiana e as oportunidades disponíveis para investidores estrangeiros.
Segundo ele, a relação entre Brasil e Guiana já é consolidada e vem sendo fortalecida ao longo dos anos, especialmente nas regiões de fronteira. “Há uma relação comercial de longa data. Muitos guianenses fazem negócios no Brasil, assim como brasileiros atravessam a fronteira para empreender na Guiana, principalmente em setores como mineração, comércio e serviços”, destacou.
Em Georgetown, capital do país, essa presença é ainda mais evidente. “Existe uma área conhecida como ‘Pequeno Brasil’, onde há restaurantes, supermercados, salões e diversos negócios administrados por brasileiros. Isso mostra o nível de integração que já existe entre os dois países”, afirmou.
Para ele, o momento atual é especialmente favorável para novos investimentos. “A Guiana está em crescimento e há oportunidades que vão além dos setores tradicionais. Temos potencial na agricultura em larga escala, na indústria, no setor habitacional, na infraestrutura, no turismo e também na aviação”, explicou.
Ele citou, inclusive, a participação de empresas brasileiras em projetos estruturantes no país, como obras de infraestrutura rodoviária. “Empresas brasileiras já estão atuando na construção de estradas e há novos projetos previstos, o que amplia ainda mais as possibilidades de atuação”, disse.
Outro setor destacado foi o de energia, especialmente renovável. “Há grandes oportunidades nessa área, e o Brasil, principalmente Roraima, tem capacidade técnica para participar desses projetos”, afirmou.
Apesar do cenário positivo, Harrilall ressaltou que o mercado ainda apresenta desafios que precisam ser considerados pelos investidores. “É um país em desenvolvimento. Ainda não temos um sistema totalmente estruturado em todos os aspectos, então entender como fazer negócios é fundamental”, alertou.
Ele destacou a importância de buscar informações junto a instituições locais, além de estabelecer conexões com parceiros e especialistas. “Ter acesso às informações corretas e falar com as pessoas certas faz toda a diferença para o sucesso do investimento”, disse.
Entre os desafios, ele citou questões relacionadas à mão de obra, financiamento e infraestrutura, mas destacou que há avanços nessas áreas. “O governo tem buscado soluções, seja com parcerias para qualificação profissional ou com melhorias na infraestrutura, como estradas, portos e aeroportos”, explicou.
Para ele, mesmo com esses pontos, o cenário segue promissor. “É um mercado estável, em crescimento e com forte proximidade com o Brasil. Isso faz da Guiana um excelente destino para investimentos e uma porta de entrada para outros mercados”, concluiu.
Fonte e imagens: SEBRAE-RR DA ASN RORAIMA– Leia a matéria completa aqui