Pesquisar

Etnias ciganas pedem acesso a políticas públicas e reconhecimento pelo Censo – Notícias

Divulgação/Fonte

Compartilhe:

24/08/2023 – 20:37  

Renato Araujo/Câmara dos Deputados

Comissão ouviu representantes do governo e dos povos ciganos

Vítimas de preconceitos e desconhecimento por grande parte da população, os ciganos vivem no Brasil desde o século 16, mas são invisibilizados e não conseguem acesso a políticas públicas.

Para tentar mudar essa situação, a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados realizou nesta quinta-feira (24) audiência pública com integrantes do governo e com representantes dos ciganos.  Durante a reunião, foi discutido o Estatuto do Povo Cigano (PL 1387/22), proposta que está sendo analisada na Casa.

O representante da Associação Nacional das Etnias Ciganas, Wanderley da Rocha, afirmou que os ciganos querem ser reconhecidos e, para isso, é preciso que eles façam parte do Censo demográfico brasileiro. “Nós somos sim invisibilizados e sonhamos em sair da invisibilidade porque sabemos que é direito nosso e dever do Estado”, afirmou.

A proposta do estatuto prevê o combate à discriminação e à intolerância e determina que cabe ao Estado garantir a igualdade de oportunidades e defender a dignidade e os valores religiosos e culturais dos ciganos, por meio de políticas públicas de desenvolvimento econômico e social e também através de ações afirmativas.

Renato Araujo/Câmara dos Deputados

Wanderley da Rocha: é dever do Estado tirar os ciganos da invisibilidade

O projeto torna obrigatória a coleta periódica de informações demográficas sobre os povos ciganos, para que sirvam de subsídios na elaboração de políticas públicas.

Segundo o texto, caberá ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial a organização e a articulação de políticas e serviços federais.

O representante do Ministério da Igualdade Racial, Ronaldo dos Santos, afirmou que o Estatuto do Cigano vai colocar o Brasil na vanguarda do reconhecimento dos direitos dessa população marginalizada no mundo inteiro, mas antes é preciso fazer o levantamento da realidade dessas pessoas para poder executar as políticas públicas necessárias.

“O Brasil não se conhece, o Brasil insiste em não se conhecer. E todos os dias, quando o Brasil se conhece mais um pouquinho, dá a impressão de que o Brasil precisa se esforçar mais para se conhecer mais e melhor, porque ninguém cuida ou respeita aquilo ou aquele que não conhece”, declarou.

Renato Araujo/Câmara dos Deputados

Luizianne Lins: ciganos habitam o Brasil há séculos, mas ainda lutam por reconhecimento

A presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputada Luizianne Lins (PT-CE), lembrou que, apesar de habitarem o Brasil há mais de 400 anos, os ciganos ainda são invisíveis para a maior parte da população.

“Esses grupos honram sua ancestralidade, lutam por direitos para manterem suas origens, uma vez que hábitos nômades dificultam seus registros e organização. Hábitos nômades muitas vezes seguidos de expulsões para manter a invisibilidade e silenciar a população, quando não se trata muitas vezes de conflito de terra”, alertou.

O povo cigano, é representado no Brasil por três etnias: Rom, Calon e Sinti.

Violência
O procurador do Ministério Público Federal, José Godoy, denunciou a violência perpetrada pelo Estado brasileiro contra os ciganos, o que deveria ser levado a uma corte internacional de direitos humanos.

“O que une todos esses grupos, sejam calons, sinti ou roms, sejam ciganos com condições financeiras confortáveis, sejam pobres ou na extrema pobreza, é a violência policial. Essa não tem discriminação e ela bate, ela atira, ela afeta todos os ciganos no Brasil”, lamentou.

Reportagem – Karla Alessandra
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados – Agência Câmara Notícias

PUBLICIDADE

Leia também:

APÓS INVESTIGAÇÃO: Polícia Civil recupera relógios de luxo furtados em Boa Vista

Postado em 12 de fevereiro de 2026

Escola Estadual Ana Libória é reinaugurada após 26 anos sem reforma

Postado em 12 de fevereiro de 2026

Comissão aprova incentivos fiscais para quem investir em tecnologias para segurança privada

Postado em 12 de fevereiro de 2026

NA CAPITAL E INTERIOR
CCJuv da ALERR inicia período de matrículas e rematrículas nesta quinta-feira (12)

Postado em 11 de fevereiro de 2026